5 de fevereiro de 2024

dia____513, belo horizonte 2024: a eterna competição de eu comigo

oi, eu sou joy e hoje fazem 513 dias que eu fui passar um mês fora de casa e não voltei. no último domingo, mais precisamente ontem, eu finalizei o meu desafio de 20 dias / 20km de bike por dia. claro que por motivos maiores, eu andava bem mais que isso, principalmente devido às locomoções externas. a bike tem sido meu maior sinônimo de mobilidade urbana. além do treino e da aventura, claro. nem ônibus, metrô, ou uber (a não ser que seja o último caso). então, de toda essa contagem e preparação, eu a minha companheira de duas rodas tivemos uma marca de pouco mais de 600km nesse período de tempo. lembro que a última vez que gravei pro podcast, estava ainda muito verde, prestes a completar o dia 3 do desafio, então o medo era fazer alarde sobre isso e simplesmente não conseguir ser consistente, o que acabou por me afetar bastante num primeiro momento. sorte a minha que na briga entre as vozes da minha cabeça, a sensatez junto à determinação e disciplina venceram. juntos, me levaram a concluir. alguns dias levei a crer que fosse impossível ter estímulo pra enfrentar tudo o que eu enfrentei, na mente e no físico, como o trânsito do dia a dia, que não era muito fácil de lidar porque não era algo que dependesse de mim. apesar dos pesares, alguns dias foram mais difíceis que outros. outros infinitas vezes mais fáceis, tal qual um "suco de veludo". é muito sobre a nossa relação com a nossa mente também. sempre vai depender do nosso diálogo interno. lembro que quando eu acordava feliz, inspirada, com vontade de viver, tudo parecia dar certo e o caminho era totalmente cor-de-rosa. em contrapartida, mesmo nos dias ruins, em que eu era movida pela força do ódio e aconteciam diversas coisas no trajeto, a sensação que ficava no pós era sempre de: gratidão por ter enfrentado tudo isso, olha como você se sente melhor agora. os três finais de semana que permearam esse desafio foram bem diferentes um do outro. o primeiro, mais longo, acompanhada por mais dois ciclistas, teve uma trilha de +-80km da cidade e o "prêmio" foi um magnífico banho de cachoeira. no segundo, fui sozinha dar a volta na lagoa da pampulha. me perdi, mas me encontrei. foi realmente muito satisfatório. o terceiro, por sua vez, apesar do medo de ir na cidade vizinha apenas na companhia de mim mesma e ter que enfrentar uma solidão unida ao perigoso fato de ser uma mulher passando por lugares totalmente ermos e inabitados mexeram comigo. pude pensar nos possíveis acidentes que poderiam ocorrer, por mais que super comuns. mas, pra minha não tão grande surpresa, no fundo eu já imaginava que tudo correria bem. e correu. eu me superei muito. essa é mais uma lição para eu não duvidar de mim e de onde sou capaz de chegar. estou ansiosa pelos próximos desafios, porque taí uma palavra que ME MOVE. sou movida por provas, por tudo aquilo que me faz ser melhor do fui ontem. é um belo combustível pra viver a eterna competição de eu comigo.  

BARROS, Joyce Gabriella. 5 de fevereiro de 2024. 


 

2 de fevereiro de 2024

dia____510, belo horizonte 2024: isso me faz lembrar das minhas escolhas

oi, eu sou joy e hoje fazem 510 dias que eu fui passar um mês fora de casa e não voltei. em dois dias finalizo meu desafio pessoal de 20 dias de bike com -2kg pra conta e uma satisfação imensa por ter mantido a consistência. pra mim, se trata de uma boa dose de vitória. fui dormir com reflexões, que depois de digeridas, acordei pronta para expeli-las. hoje em dia eu continuo a nutrir uma amizade muito profunda com um antigo afeto a ponto de sairmos, trocarmos ideias pra falar sobre coisas da vida. quase como um confidente onde há um mútuo entendimento de emoções. desde sempre houve, talvez por isso persista. no fim, a permanência era essa: um laço inquebrável com alguém muito importante, que por breves e intensos momentos insistiu em virar alguma outra coisa, e tudo bem. às vezes a gente precisa provar o gosto de algo pra saber que não era bem aquilo. enfim, voltando... a pauta ontem foi sobre a falta de vontade por estabelecer romances e outros laços com pessoas aleatórias. houve um tempo que existia uma incessante procura pelo preenchimento, ou uma "virada de chave" ao se relacionar com outras pessoas esperando que em algum momento viesse uma "certa", que nos salvasse da vida. hoje, eu vejo que relacionamento não é nada mais que uma dedicação de mão dupla pra fazer dar certo. uma construção. não é algo que simplesmente aparece como num passe de mágica. lembro que na nossa época de interação amorosa, ambos justificaram o fim como a falta de desejo pelo outro. agora, sob os relatos dele que não tem estado tão afim de trocas além de beijos e carinhos momentâneos, percebo que quando estamos dentro de uma relação, tendemos a culpar o outro pela ausência dos nossos quereres. é como se ali dentro, a outra pessoa tivesse que estar a postos a todo momento para nos instigar "momentos mais quentes". e olha que talvez a gente nem saiba direito o que acende o nosso fogo de fato. é uma eterna descoberta, mas tem que estar sempre pondo em prática, colocando o braço à torcer. o outro tem os momentos dele, os direitos dele e muito desses "problemas" que enxergamos no externo estão lá dentro. beeem fundo. isso me faz lembrar das minhas escolhas, os tempos "de teia de aranha" que passo quando estou sozinha comigo sem dividir atenção com ninguém. por livre e espontânea vontade. é como um preparo para o que vem depois. o que vai me despertar o desejo de me entregar de verdade e nem sempre isso se encontra à toa, em qualquer lugar. esse texto é pra lembrar que tudo é muito sobre nós mesmos. a relação não esfriou. eu quem esfriei. o outro não deixou de sentir desejo. talvez eu mesmo que tenha deixado de sentir por mim mesmo. e tá tudo bem aceitar isso. o mundo não gira em torno dessas coisas que a gente só mirabola diante das carências. estar sozinho é tudo. se bastar e se bancar, também. é preciso satisfazer a si próprio com coisas que tragam vida, que vão além de casualidades premeditadas. o instantâneo até favorece. mas o acaso mesmo, a gente precisa se preparar muito pra encontrar. sem esperar muito. há de se estar distraído. 
BARROS, joyce gabriella. 2 de fevereiro de 2024.