1 de julho de 2026

“abra espaço para o novo”

abra espaço para o novo

disseram as vozes da minha cabeça, depois de quase um ano me martirizando mentalmente, decidi pedir uma quebra de contrato da minha última experiência como pessoa jurídica. eu odiava estar lá, odiava quando chegava segunda e torcia para que chegassem as sextas. me tornei quem eu mais temia. sedenta pela fuga de uma rotina que me engolia pouco a pouco. a culpa era da empresa? acho que não, porque segundo eles, o mais importante era estar entrando dinheiro. dinheiro esse que eu e muita gente só via através de números fixos mensalmente, ao passo que víamos as demandas crescerem cada vez mais até ficarmos sufocados de tanta coisa inútil pra fazer. eu até gostava um pouco das pessoas. mesmo sabendo que nada daquilo ali era um “laço” verdadeiro ou importante pra eu levar pra vida. até porque partilhávamos de perspectivas sobre a vida diferentes demais pra eu querer manter aquela relação para além do corporativo. 

eu pouco tava me importando com networking

se em meses de empresa nem eu ou ninguém ali foi capaz de gerar novos negócios um para com o outro, porque isso vingaria depois do fim? ah, me poupe. somos só números e eles também. sem discursinho barato de gratidão no LinkedIn, porque a gente sabia que boa parte daquilo ali é um teatro, né? pois bem, cá estou eu, um mês e pouco depois de me ver totalmente sem uma fonte de renda, ou melhor, sem ver o mínimo do mínimo do dinheiro entrar na minha conta a não ser uns juros compostos que me salvaram graças a Deus e ao universo porque eu ainda não tive coragem de colocar outros objetivos em prática. ou talvez ainda não me bateu loucura suficiente pra ir atrás das coisas que eu me prometi que iria. porque sim, embora não pareça, ainda tem algumas responsabilidades fixas nas quais devo arcar, então enquanto isso, vou deixando a vida me levar esperando que em algum momento algum mestre no qual eu possa me inspirar muito seja uma luz nesse momento e me guia para que eu tire de dentro de mim esse bocado de coisa que eu não sei como dizer.

algo muito lá no fundo segue repetindo que se deu certo uma vez, não é possível que em todas as outras não deem. talvez eu só esteja com muita pressa e controladora que sou, acabo esquecendo que as cosas não são necessariamente do meu jeito, mas do jeito que tem que ser.

e se tu me perguntar se eu me arrependo de ter “demitido” “este” “cliente”, a resposta é JAMAIS. eu tinha e tenho muito mais medo de que as coisas ficassem do jeito que estavam do que de como elas estão agora… um misto de surpresa imprevisível onde nada do que eu faça nunca parece suficiente para chegar onde eu quero chegar mesmo sabendo que sempre haverá mais.

BARROS, Joyce Gabriella. 
Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. 
09 de abril de 2026, 12:46.

23 de março de 2026

o tempo exato das coisas


hoje eu fiz uma tiragem de tatot que trazia como conselho central: "quanto mais você tenta controlar tudo por medo, mais ansiedade surge quando você equilibra e confia, o sucesso flui".
há uns minutos atrás eu vi um vídeo que falava sobre o tempo exato das coisas. nem antes, nem depois. o tempo exato. se vem antes não estamos preparados, se vem depois, talvez não vamos perceber ou valorizar aquilo da melhor forma. nada vem sob a pressa. isso me faz lembrar em que tantas vezes as coisas na minha vida aconteciam com um sabor 45' dos segundo tempo. eu acho que não vai dar tempo, não vai dar certo, e aí a vida vem e mostra o contrário, através do inesperado que tudo aquilo já estava a caminho, eu só queria adiar, pra tapar a minha angústia com a peneira. 
uma coisa muito engraçada que me aconteceu esses dias foi que eu tinha um espetáculo teatral que aconteceria pontualmente às 19h40. o meu compromisso anterior atrasou e algumas coisas pareceram dar erradas, como por exemplo, ficar sem internet e ter que voltar pra casa à pé, em um caminho de mais ou menos 1h. pensei em desistir de ir várias vezes, porque teria mil coisas a serem feitas até lá, mas calei a voz da mente e só fui. cheguei em casa, tomei banho, me arrumei, pedi um carro de app e apesar do trânsito, exatamente às 19h40 eu estava dentro do teatro. ou seja, aconteceu. no momento exato. e pra completar, a peça ia atrasar 10 minutos. por dois segundos tive um pouco de raiva porque durante o caminho eu pensei o quão precioso seria se meu compromisso não tivesse atrasado para eu ter esses 10 minutos sagrados ali, mas como não aconteceu, foi debitado no próximo compromisso. mas pelo menos me permitiu respirar... eu andava agitada. mas isso foi muito marcante pra eu ver como as coisas acontecem, de fato, não em cima da hora nem antes ou depois. mas no tempo exato delas. 

BARROS, Joyce Gabriella. 
23 de março de 2026. Belo Horizonte, MG, Brasil.