oi, eu sou joy e fazem 477 dias que eu fui passar um mês fora de casa e não voltei. eu tô sentindo mil coisas diferentes a respeito do fato de sentir o ano virar. amanhã eu vou ser alguém novo? vou entrar numa câmara de gás e glitter onde num passe de mágica todos os meus problemas vão embora?
é muito louca a sensação de toda essa carga energética e simbólica que constitui o avanço de um ano, gere toda uma esperança em torno, e até mesmo nós, vermos tudo mudar. continuamos sendo os mesmos, mas por um segundo tudo parece se transformar. a gente pode escolher mudar hoje, amanhã, segunda-feira, ou sei lá. não vai ter o mesmo empenho do que começar uma nova versão de você em janeiro. eu tenho sentido coisas ainda que parecem permanecer em mim ao longo de anos, que ano vai e ano vem, são sensações e emoções doendo pouco a pouco enraizando em mim algo que me controla totalmente. não é o ano quem vai decidir me ver mudar pelo menos a perspectiva.
eu fico feliz em ter me superado em muitas coisas, enfrentado desafios, simples ou não tanto, mas que mais uma vez, não sei porque ainda me surpreendo por ter conseguido. parece que eu sempre já sei que tudo vai dar certo de novo. e nem sempre tudo vai se sair conforme eu imagino que seja quando o que tem que ser meu está a caminho. são milhões de possibilidades e eu só preciso confiar que todas as coisas que eu tenho que viver eu já estou vivendo. e tudo se vai. mas infelizmente vez em quando eu me saboto. desconfio. e isso me corrói por dentro. eu ajo totalmente contrário ao que gostaria que eu mesma fosse.
são muitas coisas que eu queria dizer para algumas pessoas, mas agora, uma em específico me veio, e vale pra muitas pessoas juntas. talvez. eu queria pedir desculpas por me afastar. não me julgo. mas alguns trejeitos na sua personalidade ativam gatilhos em mim que eu não consigo estar pronta pra lidar. é a mesma sensação de olhar pro sol. você pode fitá-lo por alguns segundos, mas ele pode facilmente fechar sua visão antes que você perceba. olhar pra nossas dificuldades em lidar com grande maioria das coisas não é fácil. todos os dias eu luto contra o entendimento de mim mesma e eu sei que vivendo quiçá o gelo que as minhas paranoias ergueram em forma de muralha poderia simplesmente derreter com um pouco de presença. mas por agora prefiro não olhar. existem mil coisas que ainda me afligem, é como se tivesse que me equilibrar o tempo todo entre ser minha própria mãe e lembrar de ser filha, deixar-se ser acolhida. pensar dói. parece que não me reconheço essas distâncias, esses segmentos.no mais, eu deixo as coisas serem. preciso reconhecer ainda um restinho de leveza em mim e expandi-la outra vez. não depende de mais nada lá fora. eu vou sentir as coisas com totalidade outra vez. me reconhecer e escolher cuidar de mim é um pouco do que sei sobre autocompaixão.BARROS, Joyce Gabriella. domingo, 31 de dezembro de 2023.
31 de dezembro de 2023
dia____477, belo horizonte 2023: a cereja do bolo
28 de dezembro de 2023
dia____474, belo horizonte 2023: quanto mais me sei
oi, eu sou joy e fazem 474 dias que eu fui passar um mês fora de casa e não voltei. tal qual os comentários de pessoas anônimas sobre fofocas ou até mesmo nas páginas dos próprios famosos, eu não deveria simplesmente querer opinar nada sobre a ação ou o sentir do outro. não deveria dizer a hora que ele vai dormir. o que ele vai fazer ou dizer. ele sabe dele. eu sei de mim. e quando mais presto atenção em mim, mais me sei. e quando me sei, me abraço, e me acolho pra minhas imperfeições. isso me ensina a amar a dos outros também. quando a gente conhece primeiro as nossas. isso faz o amor ser por ele mesmo, genuíno. um supra-sumo do sentir. sua forma em antídoto. “quanto mais a gente deixa as coisas livres, mais o que tem que ficar perto de nós fica”. quanto mais prendemos, mais aquilo quer voar para se ser. é nisso que constitui a troca e a veracidade dos afetos. no amor de dar. de receber. de viver. pra não esquecer.
BARROS, Joyce Gabriella. quinta-feira, 28 de dezembro de 2023.
19 de dezembro de 2023
dia____464, belo horizonte 2023: uma sensação geral de bem-estar
oi, eu sou joy e hoje fazem 464 dias que eu fui passar um mês fora de casa e não voltei. será que a gente é o tempo todo quem a gente quer ser? ou fica se mutilando, se encolhendo pra caber? esses dias, vi num lugar, na verdade, REVI, um negócio que dizia que quanto mais formos verdadeiros conosco e com os outros, mais a gente afasta e aproxima quem tem que estar. lembrando que estar conosco não é físico. tem gente que está sem estar. e tem gente que não está, estando. enfim, só uma reflexão curta e grossa sobre permanência e autenticidade.
BARROS, Joyce Gabriella. terça-feira, 19 de dezembro de 2023.
15 de dezembro de 2023
dia____461, belo horizonte 2023: uma sensação geral de bem-estar
oi, eu sou joy e fazem 461 dias que eu fui passar um mês fora de casa e não voltei. dias despretensiosos são incríveis quando a gente deixa que eles apenas sejam. tive uma sessão de 1h30 de massagem ayuvérdica (feita para harmonizar o corpo e a mente, usando uma combinação de técnicas de massagem, movimentos rítmicos e óleos medicinais específicos. se adapta às necessidades individuais de cada pessoa, levando em consideração seu tipo de constituição física (doshas) e qualquer desequilíbrio que possa estar presente. os benefícios incluem a melhoria da circulação sanguínea, a eliminação de toxinas, o relaxamento dos músculos, o alívio do estresse e a promoção de uma sensação geral de bem-estar. essa prática ajuda a equilibrar os doshas (Vata, Pitta e Kapha), que são os princípios fundamentais do Ayurveda). depois rolou aula de yoga com direito a confraternização, umas 3h de conversa sobre assuntos gerais da vida, picolé de manga com expectativa de ontem e a vontade de pedalar forte mesmo já sendo quase virada de um dia para o outro, eu venci a mim mesma. minha cabeça, minha solidão. e o alívio por ter a mim. por ter comigo a minha bicicleta e não permitir que eu me sinta tão só. “a solidão é fera, a solidão devora”, assim como disse alceu em uma canção. mas hoje, todas as coisas me mostraram que eu sou a senhora do meu destino. o toque das mãos que se encaixavam e o deslizar do óleo de gergelim tocando a pele, papos despretensiosos sobre asanas e suas variações, escuta acolhedora sobre a vida profissional e estar comigo. entre eu e mim. me superar. deixar a mente calar por uns segundos ouvindo só o barulho da resistência da corrente no ar. ir além do que previ e planejei pra hoje. as vezes, as grandes vitórias não virão com o tempo, porque elas estarão nas pequenas. do dia a dia, sabe? aquelas que quase ninguém vê. saber que fui além do que imaginei que por um momento e não existia mais além dali. pensar com dúvida se a vida era só isso mesmo me faz lembrar nas entrelinhas que eu posso descobrir algum brilho distante de vontade de existir mais outra vez. sendo eu, me acolhendo com um abraço e escolhendo, seguindo meus desejos. ainda bem que os segui. e olha que foi tudo intuição. ouvir ela é sempre o melhor que eu faço pelos vários eus de mim que habitam aqui. tô leve.
BARROS, Joyce Gabriella. sexta, 15 de dezembro de 2023.
12 de dezembro de 2023
dia____458, belo horizonte 2023: não adianta a insistência ou muito talvez a pressa
oi, eu sou joy e fazem 458 dias que eu fui passar um mês fora de casa e não voltei. é muito engraçado pensar sobre a fluidez das coisas porque eu sempre estou pensando na fluidez das coisas. em como elas apenas são. e nem adianta insistir. depois de finalmente comprar minha própria bicicleta, veio a saga da busca por um capacete de proteção. mas eu, como boa apreciadora da estética, e designer com vênus em touro, tinha em mente um modelo, e COR (principalmente). mas aí comprei um mais ou menos porque me parecia o mais certo a se fazer naquele momento. depois de um tempo, passei adiante. não era ele. comprei outro que chegava mais perto do que eu procurava, mas ainda não me emocionava. coloquei à venda e poucos dias depois acabei vendendo para um alguém de uma forma muito rápida, que me deixou até assustada, algo muito na base da confiança. fiquei sem. encontrei mais um que talvez quisesse, que talvez gostasse, e mesmo ainda não sendo o que eu queria, tentei mais uma vez. a página de vendas, em seus mil e um problemas acabou não efetuando a compra, o que me deixou ainda mais ansiosa. pensei até em pegar um outro ainda mais aleatório, já que eu não conseguia o que eu queria, de fato, e ele estava simplesmente esgotado no site. até que, depois de umas buscas mais intensas, o encontrei em uma loja da cidade vizinha, e consegui: do jeitinho que eu queria. além do mais, ao ir de bike, desfrutei de um caminho belíssimo, num lugar que nunca havia ido e me deixou um saldo de quase 22km rodados. o que eu aprendi com tudo isso é que não adianta a insistência, ou muito talvez a pressa. quando a gente quer uma coisa, vai sempre existir um abismo entre ela e a vontade que não pode ser preenchido com nenhuma outra. se continuarmos andando, vamos percebendo que tudo o que acontece é como uma ponte que vai sendo constituída de experiências para chegar onde queremos chegar. e isso se adapta à várias outras situações da vida, em que eu não devo me apegar ao destino final, mas sempre desfrutar do percurso. ele pode trazer muitos bons momentos, assim como os capacetes que passaram por mim trouxeram, mas se eu tiver confiança de pra onde a estrada vai me levar, jamais precisarei carregar comigo o fardo do sofrimento.
BARROS, Joyce Gabriella. 12 de dezembro de 2023.
8 de dezembro de 2023
dia____454, belo horizonte 2023: afastamentos não são ruins
oi, eu sou joy e hoje fazem 454 dias que eu fui passar um mês fora de casa e não voltei. saímos da vida das pessoas porque não somos capazes de apoiá-las, ou de sentir o que estão se tornando. nos afastamos porque sentimos que não conseguimos contribuir com seu crescimento da maneira que merecem, ou porque perdemos a sintonia com o que está acontecendo em seus corações. não é fácil oferecer apoio a algo que não nos faz vibrar interiormente; isso nos distancia de forma natural. antes de mais nada, ninguém deve ou precisa apoiar ninguém. não é obrigatório. mas é necessário lembrar que aceitar é. gente que incentiva a ser melhor e maior nos conecta com nós mesmos em essência. isso nos ajudam a reconectar com o nosso verdadeiro eu. a verdade é que as relações se desfazem quando não conseguimos apoiar as ambições e os sonhos uns dos outros. cada pessoa está em sua própria jornada, com metas e desafios únicos, e encontrar aqueles que podem nos apoiar nesse caminho é algo de grande valia. a vida é como um rio, fluindo e nos levando a novas experiências. é tão natural passarmos por fases nada a ver uma com as outras - mas que no fundo se conectam -, assim como as estações mudam. o segredo está em abraçar essa fluidez com leveza e aceitação. ao deixarmos ir o que já não nos serve mais, permitimos espaço para o novo florescer. é como soltar delicadamente uma pena ao vento, permitindo que ela siga seu próprio curso. nosso coração e nossas aspirações são como borboletas, livres para voar e buscar o que os faz elevar. aceitar quem somos, no momento presente, e abraçar a constante ressignificação é um ato de amor-próprio. afinal, só o que é essencial se mantém de pé. se sentirmos a chamada para provocar mudanças, que possamos fazer isso com a gentileza de quem planta sementes. é nas pequenas escolhas diárias que encontramos a magia da transformação. eu espero poder me lembrar que a cada dia de que somos como flores desabrochando e respondendo às carícias do vento da transmutação. e, acima de tudo, que possamos compartilhar esse abraço acolhedor com nós mesmas e com aqueles que cruzam nosso caminho dia após dia. quando percebemos disparidades no caminho e no apoio, pode ser um sinal valioso de que é hora de cuidarmos de nós mesmas. abrir mão não significa desistir, mas sim reconhecer a importância de preservar nossa paz interior e bem-estar. se sentirmos que não estamos recebendo o apoio necessário para florescer e seguir nosso verdadeiro caminho, é um ato de amor próprio considerar a possibilidade de abrir novos horizontes. isso implica em soltar suavemente as conexões que não estão mais alinhadas com nosso crescimento. cada jornada é única, e nem sempre é fácil dar esse passo. cuidar de si é um gesto poderoso e necessário. é como regar as flores do nosso jardim interno para que possamos continuar a florescer e brilhar. o desapego, nesse contexto, é um ato de autocompaixão. abrir mão de algo que não está contribuindo para nosso bem-estar pode criar espaço para novas oportunidades e relações que estejam mais alinhadas com quem somos e o que buscamos na vida. a gente só precisa se ouvir mais um pouquinho e confiar na profunda sabedoria do coração, e se sentir que é hora de seguir em frente, que seja feito com gentileza e amor. todos nós merecemos caminhar em direção à luz que ilumina nossa autenticidade.
BARROS, Joyce Gabriella; sexta-feira, 8 de dezembro de 2023.
6 de dezembro de 2023
dia____452, belo horizonte 2023: sobre abrir mão das coisas
oi, eu sou joy e hoje fazem 452 dias que eu fui passar um mês fora de casa e não voltei. tenho percebido durante minha caminhada que eu sempre abri mão das coisas, por mais que dor me causasse. mais meus abraços abriam em busca desse além que eu procuro tanto, mas no fim acho que nem vou achar, porque tudo o que procuro, só vou encontrar em mim. essa coisa dentro me dirige, me governa. nunca fui embora e tive pelo menos angústia ao olhar pra trás. sabe a sensação da picada de uma agulha, uma seringa, quando a gente vai fazer exame de sangue ou quando temos que tomar algum medicamento na veia, ou de um piercing sendo feito? é uma dor muito passageira. instantânea. passa tão rápido que a gente esquece que é 'pro próprio bem'. agora comecei a ler meus próprios sinais de que eu só não quero mais. eu não quero me dedicar. isso. dedicação. esmero. quando eu paro de sentir o prazer da dedicação e do esmero, meu corpo para de dar sinais que quer estar ali. sabe quando nos filmes tem aquela imagem do eletrocardiograma em que a pessoa está morrendo, o coração vai parando de bater lentamente, porque ela já não suporta mais e fulminantemente, vira uma linha eterna? é isso. a gente para de se sentir vivo ali. logo ali, onde a gente foi tão feliz um dia. eu só sei de uma coisa: a gente nunca mais vai ser o que já foi. porque agora, já somos outros. mudamos. e naturalmente os caminhos vão divergindo, vão parando de seguir um ao outro lado a lado, sabe? não tem mais toda aquela beleza. você começa a enxergar beleza em outras coisas. você conquistou o que queria, agora que já tem, quer mais. mais. mais. e o que tá ali, do teu lado, não faz mais sentido, é estranho. parece que a gente insiste, não pelo presente (que já nem existe mais passado), mas por um futuro idealizado e irreal do que não vai acontecer. é só uma projeção de quem fui enquanto sonhava. talvez mais nada disso faça mais sentido pra mim. parece que não tenho mais o que fazer. independente do que eu faça, tudo sempre vai estar girando em círculos. não evolui. não seca. não enche. você não quer mais. e você começa a nomear com outras coisas. vem em forma de ciúmes. posses e dores angustiantes. mas você sabe que não é verdade. você começa a sentir um ciúme muito ansioso, fica obcecado. tudo é um motivo pra você criar histórias na cabeça, cenários, de possíveis terríveis coisas que poderiam estar acontecendo ou seriam capazes de acontecer. é cruel o que a mente faz com a gente. ela é tão criativa, tão ampla, mas ela prefere falar outras coisas. e nem nos damos conta que somos nós que estamos sempre construindo a própria realidade. e, por covardia, sempre vai ser mais prático jorrar a responsabilidade no outro. pra não ter que arcar ou lidar com possíveis culpas.quando você não está mais disposto àquilo, é comum continuar forçando a barra. deixando levar. as vezes por meses, anos, muito tempo, sem se dar conta. até esquecendo coisas que você leva muito em consideração. eu já não sei mais se tudo o que eu faço é meu, de fato. tudo começa a incomodar. coisas que antes amava, começam a soar como um canivete entrando nos seus olhos. tudo. você começa a não querer mais estar. você sente que não é mais você mesma. e é tão triste. me afastar de mim. deixar de ser eu. agir como uma menina ferida. na defensiva quase que o tempo inteiro. tentando ser 'dona' de coisas que não a pertencem. sobretudo sentimentos que não são genuínos. esse é apenas o dia 1 que eu comecei a ter uma nitidez mais exata de toda essa história, mas não é de hoje. quantos dias terão até a decisão final? eu preciso mesmo decidir alguma coisa? minhas ideias oscilam. até lá eu vou ter mudado tanto. che sarà sarà.
BARROS, Joyce Gabriella. quarta-feira, 6 de dezembro de 2023.
4 de dezembro de 2023
dia____450, belo horizonte 2023: cachoeira 27 voltas
oi, eu sou joy e fazem 450 dias que eu fui passar um mês fora de casa e não voltei. hoje eu despertei naturalmente cedo. senti o brilho do novo dia de uma forma cheia de gratidão, que assim como o dia anterior, fez-se prevalecer. depois de uma trilha de bike com 100km (+-7h de movimentação), e a sensação de estar em sintonia com os companheiros na jornada, compartilhando não apenas a estrada, mas também momentos de pura adrenalina nas libertadoras descidas sem mãos no freio, é algo que guardarei com carinho. sem falar no sentimento de silêncio interno energizou o momento e deixou tudo mais bonito. é incrível como esses desafios têm trazido significado à minha vida. cada pedalada foi mais do que uma conquista, foi um lembrete de que sou e somos capazes de superar qualquer obstáculo. o trajeto belo horizonte - nova lima - honório bicalho (cachoeira 27 voltas) - raposos - sabará - belo horizonte, certamente foi o melhor que fiz esse ano até agora. não que tenha feito tantos, mas com certeza esse é aquele pé que a gente coloca na fé pra ir indo além cada vez mais. as estradas até chegar a cachoeira, tal qual seu nome, com suas 27 voltas e abismos imensos que mais lembravam a estrada da morte no território inca, só que adaptado apenas pra bicicletas e alguns transeuntes que não sofrem de vertigem, faziam com que construíssemos confiança, e destreza pra contemplar o caminho com foco, porque qualquer erro poderia ser tremendamente fatal. foi um misto de sensações que no fim deu tudo deu certo porque, além de tudo estávamos todos em consonância em tudo, até em questão de velocidade. em alguns momentos, pequenos sprints individuais nos separavam, mas nenhuma velocidade que não acoplasse e seguíssemos juntos logo em seguida. a volta, foi tão ágil quanto a ida, fez com que chegássemos em belo horizonte antes das 17h com um sol dourado e cheio de magia de fim de tarde com aquele cheiro de contemplação, o peito cheio de felicidade e grato por ter alcançado o objetivo num tempo hábil tão significativo. o maior presente, seria um belo banho de água fria que eu não via a hora de ter ao chegar, sentindo a leveza dos cabelos molhados, a água mais uma vez inundar a mim. e de quebra, o brilho do sol na janela enquanto isso acontecia fez tudo parecer ainda mais surreal, e um clima de domingo que ainda tinha muito pela frente, e, principalmente a sensação de: EU FIZ ISSO. fui inundada por uma intensa vontade de agradecer e aqui estou, até o momento presente extasiada. em alguns momentos, a ansiedade me fez questionar um pouco das minhas escolhas, mas observando por uma perspectiva mais externa, vejo que nenhuma escolha é por acaso, e todas sempre nos levam pro agora do depois. pra um caminho muito maior que é o presente da vida. isso está contido em tudo. ainda mais nesses momentos em que a gente é capaz de enxergar toda a beleza de coisas tão simples mas com tamanha capacidade de impactar. essas são as verdadeiras grandes aquisições: momentos e experiências compartilhadas com as pessoas certas na hora certa. o conselho que dou a mim mesma é continuar abraçando esses desafios com determinação e apreciando as conquistas de tamanho sem medida, e lembrando que cada passo contribui para um todo mais significativo. equilibrar desafios com autocuidado é mais do que essencial. e assim como a beleza está nas pequenas coisas, o crescimento também está nos momentos de reflexão e
descanso. sigo confiante, sabendo que essa jornada é minha, única e cheia de aprendizados que me guiam para a imensidão de mim. nunca estamos atrasados quando vivemos um dia de cada vez.
BARROS, Joyce Gabriella. segunda-feira, 4 de dezembro de 2023.
2 de dezembro de 2023
dia____448, belo horizonte 2023: abraçar a autenticidade
oi, eu sou joy e hoje fazem 448 dias que eu fui passar um mês fora de casa e não voltei.tenho afirmado sobre confiar mais no todo. deixar me entregar a mim. autoconfiança é quando sei o meu lugar na minha própria vida, e na vida do outro. quando sei medir o grau de responsabilidade por tudo o que me acontece e quando sei reconhecer a hora de ficar ou sair. quando sei onde me cabe e o que me cabe. quando não tenho medo do que vem à frente, e simplesmente vou porque estou de mãos dadas com minha intuição. uma pessoa que fala 100% o que pensa não é uma pessoa autoconfiante. acredito que pessoas confiantes sabem exatamente o que dizem, e não dizem qualquer coisa. elas sabem quando acrescentar e quando silenciar. mas, do contrário, elas não pesam falar ou não com base no parâmetro de outra pessoa, mas sim do que ressoa com seus mais profundos princípios. autoconfiança é saber trilhar o próprio caminho e estar preparado pra abrir mão de muitas coisas, visando sempre encontrar a própria luz e propósito.é aí que a gente se destacada. sendo diferente. ser diferente, nada mais é do que ser você mesmo. não seguir a manada ou fazer tudo aquilo que os outros estão fazendo em massa. fazer por você, evidenciar seu dom único de executar as coisas que você sabe da forma que você sabe. as capacidades, as crenças e as experiências são apenas um complemento do que te faz único. na verdade, elas potencializam “seu diferencial”. é celebrar as próprias particularidades e reconhecer a individualidade de cada um. como diria nietzsche: “torna-te quem tu és”. se você não conseguir mostrar pro mundo o que você representa pra ele, sempre será só mais um. se aceite. que se explodam os outros. sofrer é uma escolha sua! ninguém tem esse poder de te desestabilizar. a não ser que você abra as chancelas pra isso. é tudo sobre o ângulo que você está vendo as coisas.temos que procurar sempre enxergar a vida por uma ótica amorosa. porque, em si, ela é o amor, se pararmos pra analisar profudanmente. a palavra amor, que é popularmente atribuída a um sentimento romântico é tudo o que precisamos e viemos cultivar, mas o ser humano não está pronto para essa conversa. ou apenas faz de desconsertado. o amor é um sentimento extremamente nobre para ser confundido com paixão, tesão, vaidade. apesar de muitas vezes conter um pouco de tudo. o amor é um sentimento unilateral. solitário. o amor não tem medida, nem facetas, não tem jogos nem mesquinhez. você dá sem esperar em troca. você só o é. o amor não depende de mais ninguém. você simplesmente aprecia, valoriza e cuida com todas as forças, por tão somente acreditar cegamente na força dele. quando a gente consegue enxergar a vida com os olhos amorosos do amor, sem julgamentos, mas acolhimento, a semeadura torna-se natural, e o plantio, abundante. próspero. isso dá sentido à vida. quando você ama, você está ainda mais perto de você mesmo e do seu propósito e atinge o amor mais verdade e puro que existe, sem egoísmos. o amor por você mesmo.
BARROS, joyce gabriella. sábado, 2 de dezembro de 2023.
1 de dezembro de 2023
dia____447, belo horizonte 2023: desejos dezembros
oi, eu sou joy e hoje fazem 447 dias que eu fui passar um mês fora de casa e não voltei. começa hoje a contagem regressiva de 1 mês para um novo ano nascer. dezembro é aquele mês de união, retrospectivas, recessos, repaginadas, revisões e todos aqueles rés que não cabem num cartaz. só não vale dar ré, andar pra trás. por um panorama geral, eu sinto que muita coisa mudou até hoje. me sinto uma nova pessoa, com um novo olhar, e cada dia aprendo algo interessante comigo. mexo nas minhas percepções, analiso, e organizo mais uma vez. até tirar de lugar pra encaixar de novo. nesse tempo todo, lidei com muito peso de coisas que iam além das minhas condições. outras coisas me fizeram pensar que seria o fim do mundo, mas hoje eu vejo que não foram nem de perto o que a minha paranoia delirante me fez imaginar. tenho lutado pra estar cada vez mais perto de mim, do que sou, do que quero e vim fazer. de pessoas que me celebram e que me permitem celebrá-las também, sem medidas, sem a dureza das nossas incapacidades muitas vezes expressas sem querer, a mais pura externalização da vulnerabilidade que a todos conecta. me envenenei de ciúmes/posse de coisas que nem a mim pertecem de verdade, porque no fim das contas nada é nosso, a única coisa que talvez seja, é o nosso controle de si; mas reconhecendo lugares na vida alheia, e principalmente o meu, na minha, eu pude me reerguer, me firmar e entender que sou tão humana quanto pra poder experimentar tudo o que vim sentir nessa vida. e nem sempre são as melhores das melhores coisas. desafios fazem parte e a gente só não pode parar ou achar que a luta acabou. ela nunca acaba quanto termina. uma se vai para que mil outras venham, e tá tudo bem. a gente segue cada vez mais firme dessa vez, sabendo exatamente onde pôr a energia, já que dizem por aí que tudo o que a gente foca demais tem o dom de crescer sem fim, né? então para os próximos dias, pego na minha mão, me abraço, me acolho e digo: eu vou conseguir. já consegui mil vezes antes, por que agora seria diferente? ultrapassei limites impossíveis, vi coisas que nem nos meus melhores sonhos imaginei que veria e aqui estou, viva, forte e com histórias a mais na caixa. é disso que a vida é feita, da magia que a gente é capaz de enxergar no dia a dia e na busca sempre do mais, do que a sabemos que nosso sentido de impulso nos direciona. é nada mais do que sintonizar na energia e deixar a vida levar com aquele otimismo intrínseco e pé na fé. ela sempre sabe pra onde está indo.
BARROS, joyce gabriella. sexta, 01 de dezembro de 2023.